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Compania Rubra: O Gobber Fumegante
Publicado por Kauê

O Gobber Fumegante

 

 

Ainda que o sol não tenha trazido consigo nenhum vestígio de calor ao menos nós tínhamos luz. Haviam se passados anos desde minha última visita a Corvis. A cidade continuava um labirinto com ruas e prédios surgindo sem lógica alguma. Esgueirar-se pelas ruelas imundas no escuro evitando patrulhas e os tipos mais asquerosos que este pântano tem a oferecer e ainda seguir o rastro mistico da entidade no estandarte foi um verdadeiro tormento. Como eu odeio este lugar!

Mas nós tínhamos conseguido. Estávamos a meia hora escondidos em um beco em frente a uma estalagem chamada O gobber fumegante. Eu estava certo de que o estandarte estava em algum lugar naquele prédio. O que era um bom sinal. Caso fosse uma presa de guerra com certeza ele não estaria em lugar tão medíocre. Mas tinha sido a cautela que havia me trazido tão longe. Meus companheiros não pareciam satisfeitos mas foram espertos o suficientes para manter seus resmungos em um volume apropriado. Após uma hora sem sinal de presença inimiga nós quebramos nossa vigília e cruzamos a rua em direção ao gobber fumegante.

 

Ignorando o aviso da entrada que afirmava estar a estalagem fechada por questões de doença eu e meus colegas adentramos no salão deserto do Gobber fumegante. Uma mulher gorda banhada em suor veio ao meu encontro se desculpando e balbuciando algo sobre não ser possível atender-nos no momento. Se não fosse pelo odor que eu e meus acompanhantes carregávamos eu estou certo que seria capaz de sentir o cheiro do medo e mentiras que aquela velha despejava como orações. A visão da faca de John No-luck e seu gesto para que a mulher calasse a boca foram suficientes para conquistar algum silêncio. No salão eram visíveis por todo lados pegadas de botas, lodo do rio, poças de água e poças menores e secas de sangue. Quase todos bons augúrios. Somente o fato da mulher não estar sobre vigilância não me agradava. Quem quer que estivesse no comando ali não deveria estar deixando este tipo de pontas soltas. Eu relembrei minhas opções, escolhi minha maldição preferida, ordenei que John vigiasse a velha e com um sinal para que Aalek me acompanhasse subi as escadas o mais silenciosamente possível.

No segundo andar daquele prédio eu encontrei o estandarte e o que restava da Companhia. Apenas não era a Companhia que eu esperava encontrar. Ninguém circulo de comando. Nenhum dos meus velhos amigos. O mais próximo disto era o Velho Otto. Ninguém poderia negar que aquele era o bastardo mais durão e teimoso que Caern já vira mas o sargento nunca foi o tipo de mente diabólica e gananciosa que a Compania precisava naquele momento para se manter viva, e o homem estava entre a vida e a morte em uma cama. Eles eram o que havia restado do pelotão de Otto. Aqui aqueles novatos me ensinaram uma lição que se você que está lendo isto tiver algum cérebro vai guardar. Prioridades meus garotos. Aquele bando não tinha hierarquia, uma bandeira, uniformes ou mesmo munição suficiente para uma briga de bar. Mas eles tinham um contrato, eles tinham um buraco imundo para escapar do frio e dos olhos inimigos. Não alimentem ilusões de liberdades românticas sobra nossa vida. Algumas vezes o destino vai escolher de que lado nós vamos lutar. Naquele outono Vinter e seus animais fizeram a escolha por nós. A Compania Rubra iria lutar aquela guerra ao lado de Caspia. Alcorta e seus comandos haviam se aliado ao capitão da guarda Juliam Hellstrom, na ocasião a mais alta autoridade em Corvis ainda leal ao rei Leto.

Como Alcorta e seus companheiros haviam apenas a pouco retornado de sua primeira missão quando nós chegamos ao Gobber todos estavam mais que contentes em acatar a idéia de Sykes de que uma vez decidido que nós não iriamos nos matar aquela noite todos deveriam ir descansar. Nem todo meu sarcasmo, mau humor e cinismo foram capazes de tecer algum fel sobre aquela idéia. Como os demais eu estava exausto pelas provações dos últimos dias, feliz por estar entre os meus.

Ao cair da noite a Compania se reuniu ao redor de uma mesa para discutir seu futuro. Sim uma mesa. Na ocasião nós eramos apenas oito. Eu, Severo. Os batedores John-no-luck e John Taylor. A pistoleira Alcorta. Sykes , o capelão e açougueiro da Compania. O gobber mudo Ferrugem. O Sargento Otto e Aalek,o último dos Escudos de Razor. Após uma rápida troca de meia palavras decidimos que ficaríamos em Corvis até pagar a divida de sangue de nossos irmãos caídos. Isto decidido repassamos o que cada um lembrava do ataque à Compania. Ninguém adicionou nada de relevante. Em parte por que estávamos muito ocupados salvando nossas peles para fazer uma avaliação fria da força inimiga em parte porque ninguém estava disposto a relembrar como nossos rabos foram chutados tão impiedosamente. Era certo que havia um exercito lá fora, mas remoer nossas confusas e imprecisas memórias não iria produzir nenhuma informação útil além de arrasar qualquer moral que tenha sido ganha pelo reencontro dos dois grupos.

Assim sendo Sykes se dispôs a nos contar como tinha corrido a primeira missão. Eis como aquelas marcas de lodo do rio e sangue vieram parar no salão em que estávamos.

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