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Compania Rubra: Os Livros de Corvis
Publicado por Kauê
 
 

 
 
   
Entre meus irmãos de armas eu sou conhecido como Severo e até alguns dias atrás eu ocupava a posição de conselheiro da falecida capitã Samantha “Sam” One Shot porém nestes dias escuros, desprovido de minhas armas, tomo para mim as responsabilidades do bom padre Gregor como analista da Compania Rubra. De hoje até que assuntos maiores ou a morte demandem minha atenção eu contarei a história do que restou da antiga e temida lamina escarlate....e pelo bom Gêmeo eu não estou certo de que sobrou o suficiente para fazer de nós um bando de ladrões.
 
Estes são os livros de Corvis, estes são os Livros dos Mortos, e como tal eles devem começar contando como tudo quase terminou e relembrando aqueles de nós que jamais deixarão os frios pântanos da cidade dos fantasmas.
 
Naqueles dias a Compania se encontrava a serviço da coroa de Cygnar. Nós deveriamos permanecer estacionados próximos a cidade de Corvis até que os cygnarianos encontrassem um nobre em Llael disposto a servir de fachada para os interesses de Caspia. Quando isto ocorresse nós seguiríamos para o norte até a fronteira ocidental entre Llael e Khador e ensinaríamos boas maneiras ao exército khardorano.
 
Ainda que a Compania tenha se originado no norte como sugerem nossos mais antigos anais naqueles dias ela era formada em sua grande maioria por caspianos sem objeções algumas de realizar algum lucro as custas dos irmãos do norte.

Porem a ordem para partir não vinha. Estávamos a sete dias acampados em uma mata sem nome, e particularmente fria e úmida, a um dia de marcha de Corvis. Sob um clima beirando ao motim a Capitã permitiu que fossem buscado em Corvis o calor que só se encontra no vinho e no corpo das mulheres. É reconfortante pensar que metade de meus irmãos morreram antes de poder colocar suas calças ou sair das suas poças de vomito. Morreram como quiseram viver.

A emboscada que quase dizimou nossa Compania teria enchido minha alma negra de alegria se eu não estivesse cuspindo sangue, dentes e maldições por todo o caminho entre meus alojamentos e o Estandarte Rubro. Eu nunca cheguei até ele. Pelo menos não naquela noite. Enquanto atravessava o mar de gemidos e aço retorcido que um dia fora a quinta divisão vi o momento em que o centro de comando foi engolfado pelo fogo da artilharia inimiga. Neste momento eu me abriguei sobre a carcaça de um dos nossos Mulos, reavaliei minhas opções e tomei a decisão que hoje me permite escrever estas linhas. Talvez meus irmãos de armas estejam me lançando olhares reprovadores de Urcaen, mas não sejamos tão apressados em nossos julgamentos. Eu hoje estou cobrando o sangue derramado e despejando medo e infortúnio sobre estas malditas abominações enquanto meus bravos juizes alimentam as bestas selvagens com seus corpos.

O fato é que eu fugi, ou iniciei a retirada. Em meu caminho encontrai Aalek, Jonh-no-luck e um garoto muito feio e novo cujo nome eu não tive a oportunidade de descobrir uma vez que ele foi morto por um dos franco atiradores inimigos durante nossa retirada. Após este incidente eu e meus companheiros restantes passamos a viajar sob a proteção dos meus talentos.

Levamos três dias para atingir as muralhas de Corvis. Apenas para descobri-las em mãos inimigas. Enterramos nossos equipamentos a uma distancia segura e adentramos a cidade dos fantasmas como sombras de homens.

Eu utilizei minhas últimas energias para enfeitiçar um estalajadeiro e conseguir algum abrigo. As ruas de Corvis não são famosas por sua generosidade.

Na manhã seguinte após um dejejum magro e insalubre eu assumi a posição de comando e despachei Aalek e Jonh em busca das ferramentas necessárias para que eu pudesse obter informações a respeito do que restara de nossa Compania.

Conforme o dia se alongava por diversas vezes eu considerei se meus dois comandos não teriam desertado e se não deveria eu seguir o mesmo curso. Porem minha fé em meus irmãos foi recompensada com o cair da noite. Meus irmãos não eram covardes, apenas não eram brilhantes. Com os itens que eles obtiveram fui capaz de executar um ritual para localizar o Estandarte Rubro. Para meu alivio ele não se encontrava caído entre os corpos na mata sem nome mas dentro dos muros da cidade. Se ele era agora uma presa de guerra ou a prova da bravura das laminas escarlates que lograram escapar do cerco de fogo era algo que apenas uma incursão ao local poderia me dizer.

Partimos em silêncio na mesma noite equipados com provisões e as economias do estalajadeiro. Todas as precauções para que o incêndio parecesse acidental foram tomadas. A Compania Rubra estava em movimento, em território inimigo, e rastros não eram uma das opções aceitáveis.

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